Semana passada comprei um livro do Edward Hopper. Ele é impressionante. Suas imagens são fortes e me provocam muit0, principalmente as pinturas com pessoas em interiores. Mas, depois de ver o livro, teve uma coisa no trabalho deste pintor que me impressionou, os quadros onde ele pinta somente paisagens. Algumas pinturas me fizeram pensar se de fato, essas paisagens mereciam uma pintura? Será que é tão bela que mereça atenção? Não são muito banais? Mas ainda sim, são fortes. As escolhas que Hopper faz e seus enquadramentos me instigam.
Todos os dias, indo para o trabalho, passo por uma paisagem que sempre me deu vontade de fotografar. Não sei porquê, talvez por vê-la todos os dias, da mesma forma, de dentro do carro, na mesma hora do dia, 8:50 da manhã. Não tem nada de único e expressivo, são árvores verdes, uns postes de luz que as atravessam e um estacionamento vazio. Mas também tiveram dias em que olhei para ela e pensei: “não, isso não merece uma foto, tem coisas mais bonitas pra serem fotografadas. ” Aí, então aquela frase que todo mundo fala vinha na minha cabeça:”Nossa! Isso dava uma foto!”, aí logo em seguida completava, “Nossa, isso não dava uma foto!”.
Depois de ver o livro de Hopper, vi que aquelas árvores e postes, mereciam sim serem fotografados. Talvez não fossem necessárias, mas por que não? Então, no dia 31 de dezembro, às 19:00, chovendo, sem absolutamente ninguém na rua, fui com a Ada até lá. Pedi para ela dirigir e fotografei o que era , talvez, desnecessário, de dentro do carro, exatamente do jeito que vejo todos os dias da semana, e também porque estava chovendo e não queria molhar minha câmera.
O resultado é esse abaixo. Algumas imagens desnecessárias…
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Concepção e fotografia: Diego Bresani
Agradecimentos: Ada Luana
Tags: Diego Bresani, Fotografia






Adorei o blog, Diego!
Lindas fotos.
Beijos!
Ju Caldas
As 3 ultimas são as melhores! te amo!
Nas palavras de Roberto: Mâravilhoso! Teamo.
Diego, só faltou tirar de uma, que tem vindo nesse caminho do ceub, depois do setor militar, antes de passar de baixo de um viaduto, tipo um túnel de árvores incrível, rs…eu tbém reparo nas árvores sempre…
adoro…
Carácoles, Diego, muito bom esse céu branco! (E as árvores verdes, é claro!) Estou adorando teu trabalho com luzes altas. Excelente a escolha do quadro e do fundo da foto também. Genial. Você é meu fotógrafo favorito, sempre foi.
Agora, pensando um pouco no que você falou sobre o Edward Hooper, tenho uma pergunta à la Gabriel Bogossian (o tipo de raciocínio que ele faz normalmente): qual é a relação entre as paisagens que o Hooper pinta e as pessoas nos interiores? Você não acha que há um olhar em comum aí, mesmo sendo temáticas tão diferentes? Como poderíamos pensar isso na fotografia? E acho que é mais complexo do que, por exemplo, fotografar gente desconhecida passando na rua. Isso porque há algo de íntimo nas pessoas que ele pinta. Essa é a questão: o desnecessário, porque banal, porque íntimo, porque familiar; não o desnecessário porque é público, porque é comum, porque é gratuito. Perdão se falei algo óbvio demais, se for o caso, foi no espírito do desnecessário.
Merecia uma foto… Com certeza!
O dramaturgo Alcione Araújo, citando algum ilustre de quem já não mais me lembro o nome, anunciou: “A arte é indispensável, se ao menos soubéssemos pra quê”? Quero fazer um brinde à desnecessidade com espumante gelado comprado no Pão de Açúcar da 309. Salve!
sei bem o que é isso… dirijo pro Vitor enquanto ele fotografa meia Brasília. hehe
adorei o verde e a luz!